Gênesis 31

ARC · Capítulo 31/50

1Então ouvia as palavras dos filhos de Labão, que diziam: Jacob tem tomado tudo o que era de nosso pae, e do que era de nosso pae fez elle toda esta gloria.

2Viu tambem Jacob o rosto de Labão, e eis que não era para com elle como d'hontem e d'ante-hontem.

3E disse o Senhor a Jacob: Torna-te á terra dos teus paes, e á tua parentela, e eu serei comtigo.

4Então enviou Jacob, e chamou a Rachel e a Leah ao campo, ao seu rebanho,

5E disse-lhes: Vejo que o rosto de vosso pae para commigo não é como d'hontem e d'ante-hontem; porém o Deus de meu pae esteve commigo;

6E vós mesmas sabeis que com todo o meu poder tenho servido a vosso pae;

7Mas vosso pae me enganou e mudou o salario dez vezes; porém Deus não lhe permittiu que me fizesse mal.

8Quando elle dizia assim: Os salpicados serão o teu salario; então todos os rebanhos pariam salpicados. E quando elle dizia assim: Os listrados serão o teu salario, então todos os teus rebanhos pariam listrados.

9Assim Deus tirou o gado de vosso pae, e m'o deu a mim.

10E succedeu que, ao tempo em que o rebanho concebia, eu levantei os meus olhos, e vi em sonhos, e eis que os bodes, que cobriam as ovelhas, eram listrados, salpicados e malhados.

11E disse-me o anjo de Deus em sonhos: Jacob. E eu disse: Eis-me aqui.

12E disse elle: Levanta agora os teus olhos, e vê todos os bodes que cobrem o rebanho, que são listrados, salpicados e malhados: porque tenho visto tudo o que Labão te fez.

13Eu sou o Deus de Beth-el, onde teus ungido uma columna, onde me tens votado o voto; levanta-te agora, sae-te d'esta terra, e torna-te á terra da tua parentela.

14Então responderam Rachel e Leah, e disseram-lhe: Ha ainda para nós parte ou herança na casa de nosso pae?

15Não nos considera elle como estranhas? pois vendeu-nos, e comeu de todo o nosso dinheiro.

16Porque toda a riqueza, que Deus tirou de nosso pae, é nossa e de nossos filhos: agora pois, faze tudo o que Deus te tem dito.

17Então se levantou Jacob, pondo os seus filhos e as suas mulheres sobre os camelos;

18E levou todo o seu gado, e toda a sua fazenda, que havia adquirido, o gado que possuia, que alcançara em Paddan*-aram, para ir a Isaac, seu pae, á terra de Canaan.

19E havendo Labão ido a tosquiar as suas ovelhas, furtou Rachel os idolos que seu pae tinha.

20E esquivou-se Jacob de Labão o arameo, porque não lhe fez saber que fugia.

21E fugiu elle com tudo o que tinha, e levantou-se, e passou o rio: e poz o seu rosto para a montanha de Gilead.

22E no terceiro dia foi annunciado a Labão que Jacob tinha fugido.

23Então tomou comsigo os seus irmãos, e atraz d'elle proseguiu o caminho por sete dias; e alcançou-o na montanha de Gilead.

24Veiu porém Deus a Labão o arameo em sonhos de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

25Alcançou pois Labão a Jacob, e armara Jacob a sua tenda n'aquella montanha: armou tambem Labão com os seus irmãos a sua na montanha de Gilead.

26Então disse Labão a Jacob: Que fizeste, que te esquivaste de mim, e levaste as minhas filhas como captivas pela espada?

27Porque fugiste occultamente, e te esquivaste de mim, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com canticos, e com tamboril e com harpa?

28Tambem não me permittiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente pois agora fizeste, fazendo assim.

29Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Deus de vosso pae me fallou hontem á noite, dizendo: Guarda-te, que não falles com Jacob nem bem nem mal.

30E agora te querias ir embora, porquanto tinhas saudades de voltar a casa de teu pae; porque furtaste os meus deuses?

31Então respondeu Jacob, e disse a Labão: Porque temia; pois que dizia commigo, se porventura me não arrebatarias as tuas filhas.

32Com quem achares os teus deuses, esse não viva; reconhece diante de nossos irmãos o que é teu do que está commigo, e toma-o para ti. Pois Jacob não sabia que Rachel os tinha furtado.

33Então entrou Labão na tenda de Jacob, e na tenda de Leah, e na tenda d'ambas as servas, e não os achou; e saindo da tenda de Leah, entrou na tenda de Rachel.

34Mas tinha tomado Rachel os idolos, e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre elles; e apalpou Labão toda a tenda, e não os achou.

35E ella disse a seu pae: Não se accenda a ira aos olhos de meu senhor, que não posso levantar-me diante da tua face; porquanto tenho o costume das mulheres. E elle procurou, mas não achou os idolos.

36Então irou-se Jacob, e contendeu com Labão; e respondeu Jacob, e disse a Labão: Qual é a minha transgressão? qual é o meu peccado, que tão furiosamente me tens perseguido?

37Havendo apalpado todos os meus moveis, que achaste de todos os moveis da tua casa? põe-o aqui diante dos meus irmãos, e teus irmãos; e que julguem entre nós ambos.

38Estes vinte annos eu estive comtigo, as tuas ovelhas e as tuas cabras nunca moveram, e não comi os carneiros do teu rebanho.

39Não te trouxe eu o despedaçado; eu o pagava; o furtado de dia e o furtado de noite da minha mão o requerias.

40Estive eu de sorte que de dia me consumia o calor, e de noite a geada; e o meu somno foi-se dos meus olhos.

41Tenho estado agora vinte annos na tua casa; quatorze annos te servi por tuas duas filhas, e seis annos por teu rebanho; mas o meu salario tens mudado dez vezes.

42Se o Deus de meu pae, o Deus de Abrahão, e o Temor de Isaac não fôra commigo, por certo me enviarias agora vazio. Deus attendeu á minha afflicção, e ao trabalho das minhas mãos, e reprehendeu-te hontem á noite.

43Então respondeu Labão, e disse a Jacob: Estas filhas são minhas filhas, e estes filhos são meus filhos, e este rebanho é o meu rebanho, e tudo o que vês, meu é: e que farei hoje a estas minhas filhas, ou a seus filhos, que pariram?

44Agora pois vem, e façamos concerto eu e tu, que seja por testemunho entre mim e ti.

45Então tomou Jacob uma pedra, e erigiu-a por columna.

46E disse Jacob a seus irmãos: Ajuntae pedras. E tomaram pedras, e fizeram um montão, e comeram ali sobre aquelle montão.

47E chamou-o Labão Jegar-sahadutha: porém Jacob chamou-o Galeed.

48Então disse Labão: Este montão seja hoje por testemunha entre mim e entre ti: por isso se chamou o seu nome Galeed,

49E Mizpah, porquanto disse: Attente o Senhor entre mim e ti, quando nós estivermos apartados um do outro:

50Se affligires as minhas filhas, e se tomares mulheres além das minhas filhas, ninguem está comnosco: attenta que Deus é testemunha entre mim e ti

51Disse mais Labão a Jacob: Eis aqui este mesmo montão, e eis aqui essa columna que levantei entre mim e entre ti.

52Este montão seja testemunha, e esta columna seja testemunha, que eu não passarei este montão a ti, e que tu não passarás este montão e esta columna a mim, para mal.

53O Deus de Abrahão, e o Deus de Nahor, o Deus de seu pae julgue entre nós. E jurou Jacob pelo Temor de seu pae Isaac.

54E sacrificou Jacob um sacrificou na montanha, e convidou seus irmãos, para comer pão; e comeram pão, e passaram a noite na montanha.

55E levantou-se Labão pela manhã de madrugada, e beijou seus filhos, e suas filhas, e abençoou-os, e partiu; e voltou Labão ao seu logar.

📖 Estudo do capítulo

Resumo

Jacó foge secretamente de Labão com suas esposas, filhos e rebanhos; Labão os persegue e os alcança, mas depois de uma confrontação tensa, os dois fazem um pacto de paz em Mizpá e Galeede.

Explicação

Depois de vinte anos de trabalho árduo e salário alterado repetidas vezes por Labão, Jacó finalmente recebe de Deus a ordem direta de retornar à terra de seus pais. A fuga silenciosa (sem avisar Labão) reflete o medo real de Jacó de um confronto violento, mas também gera um conflito imediato quando Labão os persegue, ainda mais irritado pelo furto dos ídolos domésticos por Raquel. A intervenção protetora de Deus, avisando Labão em sonho para não fazer mal a Jacó, mostra novamente o cuidado divino guiando essa jornada tensa. O confronto termina de forma notavelmente pacífica, com um pacto formal selado por um monte de pedras, simbolizando tanto separação quanto testemunho de que Deus vigiaria a conduta de ambos dali em diante. A lição é que, mesmo em relações familiares desgastadas por décadas de desconfiança, é possível alcançar um encerramento respeitoso.

Curiosidades

  • Os 'ídolos domésticos' (terafins) roubados por Raquel provavelmente tinham valor tanto religioso quanto legal — documentos de Nuzi, na antiga Mesopotâmia, sugerem que possuir esses ídolos familiares poderia estar associado ao direito de herança, o que pode explicar por que Raquel os levou.
  • O nome duplo dado ao monte de testemunho — 'Galeede' em hebraico (por Jacó) e 'Jegar-Saaduta' em aramaico (por Labão) — mostra uma diferença linguística real entre os dois ramos da família, já falando dialetos diferentes depois de gerações de separação geográfica.

Explicação versículo a versículo

  1. Gênesis 31:1Jacó ouve os filhos de Labão reclamando que ele enriqueceu às custas do sogro — o primeiro sinal de que o ambiente na casa de Labão está ficando hostil.
  2. Gênesis 31:2Além do comentário dos primos, Jacó também nota a mudança no próprio rosto de Labão — os sinais de tensão vêm de mais de uma direção.
  3. Gênesis 31:3Deus ordena diretamente que Jacó volte pra terra dos pais, com a promessa de estar com ele — é esse chamado divino que confirma que chegou a hora de partir, não só o clima ruim com Labão.
  4. Gênesis 31:4Jacó chama as esposas até o campo, longe de casa e de ouvidos indiscretos, pra planejar a saída em segredo.
  5. Gênesis 31:5Jacó explica a elas a mudança de comportamento do pai, mas destaca que o Deus da família esteve com ele o tempo todo, apesar disso.
  6. Gênesis 31:6Ele lembra às esposas o quanto serviu ao pai delas com toda dedicação — preparando o terreno pra explicar por que agora precisa ir embora.
  7. Gênesis 31:7Jacó reclama que Labão mudou o salário dele 'dez vezes' — mas isso é uma expressão pra dizer 'muitas vezes seguidas', não uma contagem exata de dez ocasiões. Ele está dizendo que toda vez que fazia um acordo sobre a cor dos animais que ficariam com ele, o sogro mudava as regras pra ficar com os melhores bichos, virando uma queixa de que Labão nunca jogou limpo.
  8. Gênesis 31:8Jacó conta que, toda vez que Labão mudava a regra do salário — ora malhados, ora listrados —, os animais nasciam exatamente daquele jeito, atribuindo isso à ação de Deus, não à própria técnica com os galhos contada no capítulo anterior.
  9. Gênesis 31:9Jacó resume a própria versão dos fatos: não foi esperteza dele, foi Deus quem tirou o gado de Labão e entregou a ele.
  10. Gênesis 31:10Jacó relata um sonho em que vê os bodes cobrindo o rebanho já malhados e salpicados — uma confirmação sobrenatural, segundo ele, do resultado que já tinha acontecido na prática.
  11. Gênesis 31:11No sonho, é o "anjo de Deus" quem fala com Jacó, chamando-o pelo nome — um encontro direto que reforça o peso da mensagem que vem a seguir.
  12. Gênesis 31:12O anjo confirma a Jacó que viu tudo o que Labão fez — uma forma de dizer que a injustiça do sogro não passou despercebida por Deus.
  13. Gênesis 31:13O anjo se identifica como "o Deus de Betel", lembrando o lugar do voto de Jacó no capítulo 28, e ordena que ele volte pra terra da própria parentela.
  14. Gênesis 31:14Raquel e Lia respondem juntas, e a pergunta delas mesmas já mostra a resposta: não veem mais nenhuma herança esperando por elas na casa do pai.
  15. Gênesis 31:15As duas se sentem tratadas como estranhas — a expressão "vendeu-nos" sugere que Labão recebeu o trabalho de Jacó como se fosse um pagamento por elas, sem repassar nada às próprias filhas.
  16. Gênesis 31:16Raquel e Lia concluem que toda a riqueza tirada de Labão pertence, por direito, a elas e aos filhos — e por isso apoiam plenamente o plano de Jacó de partir.
  17. Gênesis 31:17Jacó organiza a partida colocando filhos e esposas sobre os camelos — o transporte típico de uma família nômade em viagem longa.
  18. Gênesis 31:18Jacó leva todo o gado e os bens conquistados em Padã-Arã de volta pra terra de Canaã, rumo a Isaque — a jornada de retorno que o sonho da escada, vinte anos antes, já tinha prometido.
  19. Gênesis 31:19Os 'idolos' que Raquel furta de Labão eram estatuetas do lar, comuns na época — podiam servir de proteção da família ou até como uma espécie de prova de quem herdaria os bens do pai. Não dá pra saber com certeza por que ela os levou; pode ter sido apego religioso, prejudicar o pai, ou garantir a herança do marido.
  20. Gênesis 31:20Jacó parte sem avisar Labão — o texto usa uma expressão hebraica que soa como "roubou o coração" dele, ou seja, enganou-o escondendo a intenção de ir embora.
  21. Gênesis 31:21Jacó foge com tudo que tem, atravessa o rio e segue direto para as montanhas de Gileade — uma fuga rápida e decidida.
  22. Gênesis 31:22Só no terceiro dia é que Labão fica sabendo que Jacó fugiu — a vantagem de tempo que Jacó ganhou antes da perseguição começar.
  23. Gênesis 31:23Labão reúne parentes e persegue Jacó por sete dias, até alcançá-lo já nas montanhas de Gileade.
  24. Gênesis 31:24Deus intervém diretamente, avisando Labão em sonho pra não falar nem bem nem mal com Jacó — uma proteção que impede o confronto de virar violência.
  25. Gênesis 31:25Os dois grupos armam suas tendas na mesma montanha — o confronto que se segue acontece cara a cara, não por mensageiros.
  26. Gênesis 31:26Labão acusa Jacó de ter levado as filhas "como cativas de guerra", um exagero emocional pra descrever a partida repentina e sem aviso.
  27. Gênesis 31:27Labão reclama que, se soubesse, teria feito uma despedida festiva, com música e tambor — o tom é de mágoa por não ter tido a chance de se despedir direito.
  28. Gênesis 31:28Ele lamenta especialmente não ter podido beijar os próprios netos e filhas antes da partida — um detalhe pessoal que humaniza a raiva de Labão.
  29. Gênesis 31:29Labão admite ter poder de sobra pra fazer mal a Jacó, mas revela que Deus o avisou na noite anterior pra não tocar nele — a ameaça é real, mas contida.
  30. Gênesis 31:30Só agora aparece o verdadeiro motivo extra da perseguição: os ídolos domésticos (terafins) de Labão, que sumiram junto com a família de Jacó.
  31. Gênesis 31:31Jacó explica que fugiu com medo de que Labão tomasse as filhas à força se soubesse da partida com antecedência.
  32. Gênesis 31:32Sem saber que Raquel tinha roubado os ídolos, Jacó promete que quem for encontrado com eles vai morrer — uma aposta perigosa que quase custa a vida da própria esposa.
  33. Gênesis 31:33Labão revista tenda por tenda — a de Jacó, a de Lia, a das servas — sem achar nada, até restar só a tenda de Raquel.
  34. Gênesis 31:34Raquel esconde os ídolos debaixo de si, sentada na sela do camelo, enquanto o pai revista tudo ao redor sem suspeitar do esconderijo.
  35. Gênesis 31:35'Costume das mulheres' é um jeito educado e antigo de dizer que ela estava menstruada — motivo considerado suficiente, naquela cultura, pra alguém ficar sentado e não se levantar diante de uma visita ou de uma busca. Com essa desculpa, Raquel continua sentada em cima da sela onde tinha escondido os ídolos, e o pai não encontra nada.
  36. Gênesis 31:36Livre da acusação dos ídolos, Jacó vira o jogo e confronta Labão de volta, perguntando com raiva qual crime ele teria cometido pra merecer uma perseguição tão furiosa.
  37. Gênesis 31:37Jacó desafia Labão a mostrar, diante de todos, algo que tenha sido roubado dele — sabendo que a revista não encontrou nada.
  38. Gênesis 31:38Jacó lista vinte anos de serviço honesto: nunca comeu os carneiros do próprio rebanho de Labão, prova de que não se aproveitou do trabalho.
  39. Gênesis 31:39Ele lembra que sempre pagava do próprio bolso os animais despedaçados por feras, em vez de descontar do rebanho de Labão — ia além do que a lei da época exigia de um pastor contratado.
  40. Gênesis 31:40Jacó descreve as condições duras do trabalho — calor de dia, geada de noite, noites maldormidas — pra mostrar o preço real que pagou por vinte anos de serviço.
  41. Gênesis 31:41Jacó resume a conta: catorze anos pelas duas filhas, seis pelo rebanho, e o salário mudado dez vezes pelo próprio Labão — deixando claro quem realmente enganou quem.
  42. Gênesis 31:42Jacó credita a Deus, chamado aqui de "o Temor de Isaque", toda a proteção que impediu Labão de mandá-lo embora sem nada — inclusive a repreensão divina da noite anterior.
  43. Gênesis 31:43Labão responde reivindicando tudo como seu — filhas, netos, rebanho —, mas admite, na prática, que não pode fazer nada contra os próprios descendentes.
  44. Gênesis 31:44Diante do impasse, Labão propõe um pacto formal entre os dois, algo que sirva de testemunho pra selar a separação em paz.
  45. Gênesis 31:45Jacó ergue uma pedra como coluna — o mesmo tipo de gesto que ele já tinha feito em Betel, no capítulo 28, pra marcar um momento importante.
  46. Gênesis 31:46Jacó pede aos parentes que ajuntem pedras num monte e comam ali juntos — a refeição compartilhada fazia parte do próprio ritual de selar um acordo.
  47. Gênesis 31:47'Jegar-sahaduta' é aramaico, a língua de Labão, e 'Galeed' é hebraico, a língua de Jacó — cada um dá um nome diferente ao mesmo monte de pedras, mas os dois nomes significam a mesma coisa: monte do testemunho. As pedras empilhadas funcionavam como um contrato visível, algo que qualquer um que passasse ali reconheceria como sinal do acordo entre os dois.
  48. Gênesis 31:48Labão declara o monte de pedras como testemunha do pacto entre os dois — daí o nome Galeede, que combina a ideia de "monte" com "testemunho" em hebraico.
  49. Gênesis 31:49O lugar também ganha o nome Mispá, "atalaia" — Labão pede que Deus vigie os dois quando estiverem separados um do outro, já que não vão mais poder se checar de perto.
  50. Gênesis 31:50Labão condiciona a paz a duas coisas: que Jacó não maltrate as filhas, e que não tome outras esposas além delas — um pedido final de proteção pra quem está indo embora.
  51. Gênesis 31:51Labão reafirma o significado do monte e da coluna, apontando fisicamente pra eles como prova visível do acordo selado ali.
  52. Gênesis 31:52O pacto é de não-agressão: nenhum dos dois deve passar por aquele ponto com más intenções contra o outro — uma fronteira simbólica entre as duas famílias.
  53. Gênesis 31:53'Temor de Isaac' é um título raro pra se referir a Deus, usado só aqui e pouco antes, no mesmo capítulo. Não é um deus diferente — é uma forma de descrever a reverência quase temerosa que Isaque tinha por Deus, e é por esse mesmo Deus que Jacó jura ao fechar o acordo com Labão.
  54. Gênesis 31:54Jacó oferece um sacrifício na montanha e convida os parentes de Labão pra comer — um gesto de encerramento pacífico depois de tanta tensão.
  55. Gênesis 31:55Labão se despede de madrugada, beijando netos e filhas e abençoando-os antes de voltar pra casa — um final tranquilo pra uma perseguição que começou cheia de raiva.

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