Eu sei que às vezes a sua oração não sai em frase organizada, bonita, com começo e fim. Sai em choro, em grito abafado no travesseiro pra ninguém ouvir, em clamor que nem tem começo, meio e fim direito. Filho, eu escuto isso também, e talvez até mais de perto, porque um clamor sincero carrega a verdade nua do que está te machucando, sem enfeite nenhum por cima.
Você não precisa se desculpar por chorar enquanto ora, por gritar por dentro sem conseguir falar alto, por não conseguir formar uma oração 'bonita' no meio da crise que está vivendo. Eu respondo ao clamor tanto quanto respondo à oração calma e serena. O que me importa é que você venha, do jeito que conseguir vir até mim, mesmo em pedaços.
Hoje, se o medo está grande demais pra carregar sozinho, clama mesmo, sem vergonha. Eu prometo que estou ouvindo, atento a cada som que sai de você, e que essa mesma promessa que libertou tanta gente do temor no passado continua valendo pra você agora, hoje, nesse exato momento.