Eclesiastes 4
- Depois me virei, e observei todas as opressões que são feitas abaixo do sol; e eis que [vi] as lágrimas dos oprimidos, que não tinham consolador; a força estava do lado dos seus opressores, porém eles não tinham quem os consolasse.
- Por isso eu considerei os mortos, que já morreram, serem mais merecedores de elogios do que os vivos, que ainda vivem.
- E melhor que estes ambos, é aquele que ainda não existe; que não viu as más obras, que são feitas abaixo do sol.
- Também vi eu que todo o trabalho, e toda a habilidade em obras, [causa] ao homem a inveja de seu próximo; também isto é fútil [como] perseguir o vento.
- O tolo junta suas mãos, e come sua [própria] carne.
- É melhor uma mão cheia [com] descanso, do que ambas as mãos cheias [com] trabalho e perseguição ao vento.
- Então eu me voltei, e vi uma futilidade abaixo do sol:
- Havia um que era sozinho, sem filho, nem irmão; e seu trabalho não tem fim, nem seus olhos se fartam de riquezas; nem [diz] : Para quem estou trabalhando, e privando minha alma do que é bom? Também isso é futilidade e enfadonha ocupação.
- Dois são melhores do que um, porque eles têm melhor recompensa por seu trabalho.
- Porque se vierem a cair, um levanta ao seu companheiro; mas ai daquele que está só, pois caso caia, não há outro que o levante.
- Também, se dois se deitarem juntos, eles se aquecem; mas como alguém sozinho poderá se aquecer?
- E se alguém prevalecer contra um, dois podem resistir contra ele; porque o cordão de três dobras não se rompe tão depressa.
- Melhor é o jovem pobre e sábio do que o rei velho e tolo, que não sabe dar ouvidos aos conselhos,
- porque esse [jovem] pode sair até da prisão para se tornar rei, ainda que tenha nascido pobre em seu reino.
- Vi todos os vivos, que andam abaixo do sol, estarem com o jovem, o sucessor, que ficaria em seu lugar.
- Não havia fim todo o povo, todo o que houve antes deles; porém os que vêm depois não se alegrarão nele. Também isso é fútil [como] perseguir o vento.
Texto: Bíblia Livre — CC BY 4.0
💡 Entenda Eclesiastes 4
Resumo
O pregador observa as opressões sofridas pelos fracos e a inveja que motiva o trabalho humano. Ele ensina que dois são melhores que um, pois se ajudam mutuamente, e alerta contra a ambição solitária e sem propósito.
Explicação
Depois de considerar as grandes questões da existência, o pregador volta-se para a vida social: injustiça, inveja e solidão. A reflexão sobre "dois melhores que um" é prática e atemporal — parceria, amizade e comunhão multiplicam a força e o consolo diante das dificuldades da vida, enquanto o isolamento amplifica o sofrimento. A crítica ao homem que trabalha sem fim, sem herdeiro nem satisfação, expõe o vazio da ambição desconectada de relacionamento e propósito maior. Aplicação de hoje: buscar comunidade e parceria genuína é mais sábio do que perseguir sucesso isolado e competitivo.
Curiosidades
- A imagem do "cordão de três dobras" que não se rompe facilmente (verso 12) é usada até hoje em cerimônias de casamento como símbolo da união entre marido, esposa e Deus.
- A menção ao jovem pobre e sábio que sai da prisão para reinar, em contraste com o rei velho e insensato, pode refletir observações políticas gerais da Antiguidade sobre a instabilidade do poder e não necessariamente um evento histórico específico.