Tem fases da vida em que parece que eu me afastei, que parei de falar, que as coisas simplesmente continuam acontecendo sem nenhum sinal meu no meio. Você já orou, já jejuou, já esperou, e o silêncio parece mais comprido do que qualquer resposta que já recebeu.
O guarda que fica esperando a manhã na muralha não sabe a hora exata que o sol vai nascer, mas ele sabe, com certeza absoluta, que a manhã vem. Ele não fica olhando pro relógio a cada minuto tomado de desespero — ele espera com a confiança de quem já viu o sol nascer todo dia da vida dele.
Eu quero que sua alma espere assim: não numa contagem ansiosa de cada segundo de silêncio, mas numa certeza tranquila de que eu ainda estou no controle, mesmo quando não falo do jeito que você esperava ouvir. O silêncio não é ausência. Às vezes é o tempo que eu uso pra preparar algo que palavras ainda não conseguiriam explicar.