Tem uma cena do seu passado que volta sem avisar — de madrugada, no meio de uma conversa qualquer, sem motivo aparente. E junto dela vem a vergonha, como se aquele erro definisse quem você é até hoje.
Eu conheço a cena inteira, muito melhor do que a sua memória guarda. E mesmo assim eu escolhi te chamar de filho, de filha. A vergonha gosta de te lembrar do que você fez; eu prefiro te lembrar do que eu já fiz por você desde então: perdão, recomeço, um caminho novo debaixo dos pés.
Quem confia em mim não será confundido, não ficará envergonhado pra sempre. Isso não apaga o que aconteceu, mas troca o lugar que aquele erro ocupa na sua história: de sentença pra capítulo já virado. Hoje, quando a vergonha bater, eu quero que você responda com essa verdade, não com o silêncio de sempre.