Eu percebo em você um cansaço estranho: você conquista algo e, em poucos dias, já está de olho na próxima coisa, sem nunca parar pra sentir o gosto do que alcançou. Comprou, quer trocar. Chegou, já quer ir mais longe. Recebeu, já sente falta de mais.
Esse descontentamento crônico não vem de mim. Ele promete satisfação e nunca entrega, porque a raiz dele não é o objeto que falta, é um vazio que só eu preencho. Não existe casa, cargo ou conquista que sacie uma alma que não aprendeu a descansar em mim.
Eu não estou te pedindo pra parar de crescer. Estou te convidando a, antes de correr pra próxima meta, sentar um pouco e agradecer pela que você já alcançou. Piedade com contentamento é ganho grande — maior do que qualquer coisa nova que essa ansiedade promete te dar.