Tem uma criança dentro de você que ainda espera, sem saber nomear isso direito, ser escolhida por alguém que nunca escolheu de verdade. Talvez tenha sido um pai ausente na infância, uma mãe distante mesmo estando em casa, um comentário que marcou mais do que deveria naquela idade. Essa criança cresceu, virou adulto, mas a marca ficou guardada bem no fundo.
Eu não vou fingir que aquilo não aconteceu, nem pedir que você simplesmente esqueça como se fosse fácil. Eu vim te dizer uma coisa que talvez ninguém tenha dito na hora certa, quando você mais precisava ouvir: eu recolho quem foi desamparado por outros. Eu não desamparo ninguém que vem até mim.
Você pode, hoje mesmo, entregar essa criança ferida nas minhas mãos, sem medo de que eu também vá embora. Eu sei ser o pai que faltou, a presença que sustenta sem exigir nada em troca. Você não precisa mais provar que merece ser amado, nunca precisou. Você já é, desde sempre, meu filho, minha filha, escolhido com todo cuidado.