Eu sei que você olha pras suas rachaduras — os defeitos, os limites, as vezes que quebrou por dentro e ninguém percebeu de fora — e pensa que isso te desqualifica de carregar algo importante, de ser usado pra algo maior do que sua própria dor. Você se compara com quem parece mais inteiro, mais resolvido, e se sente pequeno ao lado dessa imagem.
Mas eu escolhi justamente vasos de barro, frágeis, rachados, comuns, sem brilho próprio, pra carregar o meu tesouro mais valioso. Não escolhi vasos de ouro impecáveis e reluzentes, porque aí ficaria parecendo mérito seu, conquista sua, força sua. Escolhi o barro exatamente pra que fique claro, sem sombra de dúvida, que o poder é meu, não seu.
Suas rachaduras não te impedem de carregar luz pra outras pessoas — elas são, muitas vezes, exatamente por onde essa luz atravessa e alcança quem mais precisa dela. Não se envergonhe do vaso que você é. Ele foi escolhido assim, rachado e tudo, de propósito, pra essa missão.