Você se olhou no espelho hoje com aquele olhar duro que já virou hábito antigo. Contou os defeitos antes mesmo de perceber qualquer coisa boa em você. Comparou seu corpo, sua idade, seu rosto, com um padrão inventado que nem sei bem de onde veio, mas que você aceitou como verdade absoluta.
Eu fui o artista que desenhou cada detalhe seu com as próprias mãos, com cuidado de quem não tem pressa. Não errei a mão em nenhuma curva, nenhuma cicatriz, nenhuma ruga que apareceu com o tempo. O que você chama de imperfeição, muitas vezes é apenas história registrada no corpo — de vida vivida de verdade, de filhos gerados, de batalhas vencidas, de anos que valeram a pena ser vividos.
Recomeçar aqui é trocar o espelho torto da comparação pelo espelho fiel da minha palavra sobre você. Ali, e só ali, você vai ver formidável, maravilhoso, amado exatamente como está hoje, sem precisar mudar nada primeiro.