Jó 35
- Eliú respondeu mais, dizendo:
- Pensas tu ser direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
- Porque disseste: Para que ela te serve? [Ou] : Que proveito terei dela mais que meu pecado?
- Eu darei reposta a ti, e a teus amigos contigo.
- Olha para os céus, e vê; e observa as nuvens, [que] são mais altas que tu.
- Se tu pecares, que [mal] farás contra ele? Se tuas transgressões se multiplicarem, que [mal] lhe farás?
- Se fores justo, que lhe darás? Ou o que ele receberá de tua mão?
- Tua perversidade [poderia afetar] a outro homem como tu; e tua justiça [poderia ser proveitosa] a [algum] filho do homem.
- [Os aflitos] clamam por causa da grande opressão; eles gritam por causa do poder dos grandes.
- Porém ninguém diz: Onde está Deus, meu Criador, que dá canções na noite,
- Que nos ensina mais que aos animais da terra, e nos faz sábios mais que as aves do céu?
- Ali clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
- Certamente Deus não ouvirá a súplica vazia, nem o Todo-Poderoso dará atenção a ela.
- Quanto menos ao que disseste: que tu não o vês! Porém o juízo está diante dele; portanto espera nele.
- Mas agora, já que a ira dele [ainda] não está castigando, e ele não deu completa atenção à arrogância,
- Por isso Jó abriu sua boca em vão, e multiplicou palavras sem conhecimento.
Texto: Bíblia Livre — CC BY 4.0
💡 Entenda Jó 35
Resumo
Eliú questiona a afirmação de Jó de que sua justiça pessoal seria maior que a de Deus, argumentando que nem o pecado humano diminui a Deus, nem a justiça humana O beneficia — ambos afetam apenas outras pessoas. Ele sugere que Jó clama, mas não recebe resposta porque não busca a Deus com humildade genuína.
Explicação
Eliú apresenta aqui um argumento teológico importante sobre a transcendência de Deus: Ele não é diminuído pelo pecado humano nem engrandecido pela virtude humana, pois é completamente autossuficiente e além da necessidade de aprovação ou contribuição humana. Sua sugestão de que os clamores de Jó não são respondidos por causa de "arrogância dos maus" (verso 12) é uma acusação implícita e não totalmente justa, já que o próprio Deus mais adiante no livro não condena Jó dessa forma específica. Aplicação de hoje: a bondade ou o pecado humano têm consequências reais para outras pessoas e para si mesmo, mas não alteram a natureza essencial e a grandeza de Deus.
Curiosidades
- A observação de que Deus nos faz "mais doutos do que os animais da terra" e "mais sábios do que as aves dos céus" (verso 11) reconhece a capacidade racional distintiva do ser humano como um dom divino específico, tema que ecoa a narrativa da criação em Gênesis 1:26-28.
- Este é um dos discursos mais curtos de Eliú, funcionando como uma ponte entre os argumentos mais elaborados dos capítulos 34 e 36, mantendo o tom de repreensão respeitosa, porém firme, direcionado a Jó.