Hebreus 6
- Portanto deixemos os tópicos elementares da doutrina de Cristo, e prossigamos adiante até a maturidade, sem lançarmos de novo o fundamento da conversão de obras mortas, e da fé em Deus,
- da doutrina dos batismos, da imposição das mãos, da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno.
- E isso faremos, se Deus permitir.
- Pois é impossível que os que uma vez foram iluminados, e experimentaram o dom celestial, e foram feitos participantes do Espírito Santo,
- e experimentaram a boa palavra de Deus, e os poderes do mundo futuro;
- e então caíram, outra vez renová-los para o arrependimento, porque estão novamente crucificando o Filho de Deus para si mesmos, e o expondo à vergonha pública.
- Pois a terra que absorve a chuva que com frequência vem sobre ela, e produz vegetação proveitosa para aqueles por quem e lavrada, recebe a bênção de Deus.
- Contudo, se ela produz espinhos e cardos, é reprovada, e perto está da maldição. O seu fim é ser queimada.
- Mas, ainda que estejamos falando assim, quanto a vós mesmos, amados, confiamos melhores coisas, relacionadas à salvação.
- Pois Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que mostrastes para com o nome dele, quando servistes aos santos, e continuais a servir.
- Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo empenho até o fim, para que a [vossa] esperança seja completa;
- a fim de que não vos torneis negligentes, mas sim, imitadores dos que pela fé e pela paciência herdam as promessas.
- Pois Deus, quando prometeu a Abraão, como ninguém maior havia por quem jurar, jurou por si mesmo,
- dizendo: Certamente muito te abençoarei, e muito te multiplicarei.
- E assim, esperando pacientemente, [Abraão] obteve a promessa.
- Pois as pessoas juram por alguém maior, e o juramento como confirmação é o fim de todo conflito entre elas.
- Assim Deus, querendo mostrar mais abundantemente a imutabilidade de sua intenção aos herdeiros da promessa, garantiu com um juramento;
- a fim de que, por meio de duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, nós, que buscamos refúgio, tenhamos encorajamento para agarrar a esperança posta diante [de nós] .
- Temos essa esperança como uma segura e firme âncora da alma, que entra ao interior, além do véu,
- onde, [como] precursor, Jesus entrou para nosso benefício, pois ele se tornou Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.
Texto: Bíblia Livre — CC BY 4.0
💡 Entenda Hebreus 6
Resumo
O autor alerta sobre o perigo de abandonar a fé depois de ter experimentado tanto da graça de Deus, mas expressa confiança de que os leitores alcançarão coisas melhores. Ele aponta a promessa feita a Abraão como exemplo de esperança firme e seguramente ancorada.
Explicação
Este é um dos textos mais debatidos de Hebreus, sobre a possibilidade de 'apostatar' depois de ter experimentado bênçãos espirituais reais; diferentes tradições cristãs interpretam essa passagem de formas distintas quanto à segurança da salvação. O autor usa a imagem de um terreno que produz boas plantas ou espinhos dependendo de como recebe a chuva, ilustrando que a mesma graça pode gerar frutos diferentes conforme a resposta de cada pessoa. A menção ao juramento de Deus a Abraão reforça que as promessas divinas são absolutamente confiáveis, comparadas a uma âncora firme para a alma. A aplicação prática de hoje é perseverar na fé com esperança segura, evitando tanto a complacência quanto o desespero.
Curiosidades
- A imagem da esperança como 'âncora da alma, segura e firme' (6:19) inspirou a âncora como um dos primeiros símbolos secretos usados pelos cristãos nas catacumbas romanas, antes da cruz se tornar o símbolo mais comum.